A graça do martírio atrai os cristãos japoneses
Chegando ao alto da colina, os 26 mártires foram fortemente amarrados nas cruzes preparadas com antecedência. Em torno deles aglomeravam-se cerca de quatro mil fiéis, muitos dos quais querendo ser também crucificados! Um problema inesperado para os embrutecidos soldados pagãos, que foram obrigados a usar de violência para... poupar a vida desses cristãos tão profundamente tocados pela graça do martírio.
Frei Martín entoou então o Cântico de Zacarias, "Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e fez a redenção do seu povo", enquanto Frei Gonçalo recitava o "Miserere". Outros cantavam o "Te Deum". Os padres jesuítas Francisco e Pásio, enviados pelo Provincial de Nagasaki, os exortavam a permanecer firmes na Fé.
O menino Luís Ibaraki bradou alto e com voz firme: "Paraíso! Paraíso! Jesus, Maria!" Em um instante, todos os presentes gritavam a plenos pulmões: "Jesus, Maria! Jesus, Maria!"
O primeiro a consumar o martírio foi Frei Filipe de Jesús. Seu corpo estremeceu ao receber os tremendos golpes de duas lançadas que lhe perfuraram o peito, do qual jorrou o sangue copiosamente.
O pequeno coroinha Antônio pediu ao Pe. Batista para entoar o "Laudate pueri Dominum" (Louvai, meninos, ao Senhor). Este, porém, estando em profunda contemplação, nada ouvia. Antônio, então, iniciou sozinho o cântico, mas foi interrompido pelas lançadas que traspassaram seu coração infantil. Do alto da cruz, o Irmão Paulo Miki não cessava de encorajar, com divina eloqüência, os companheiros. Sua alma já prelibava o Céu.
Os golpes mortais das lanças foram sucedendo-se, um após outro, abrindo as portas do Paraíso aos felizes mártires. O último a expirar foi o Padre Francisco Blanco.
Na tarde desse mesmo dia, o Bispo de Nagasaki e os padres jesuítas, que não puderam assistir ao martírio devido à proibição de Hanzaburo, foram venerar os corpos dos santos mártires, cujo sangue havia sido piedosamente recolhido pelos católicos, como preciosa relíquia.
Decorridos 30 anos, em 1627, o Papa Urbano VIII reconheceu oficialmente seu martírio. E o Bem-Aventurado Pio IX os canonizou em 8 de junhode 1862.
A colina da execução ficou conhecida como Monte dos Mártires e tornouse centro de peregrinação. Nela, inumeráveis outros católicos foram degolados ou queimados vivos, durante a dura e cruel perseguição que se prolongou por quatro décadas, até culminar no levante de Shimabara, em 1638, onde morreram 37 mil cristãos.
Com isto, ficou quase totalmente exterminado o Cristianismo em solo nipônico. Mas o sangue de tantos milhares de mártires não correu em vão. Unido ao Preciosíssimo Sangue de Jesus, ele fecunda, não apenas o solo do Japão, mas o de todas as nações onde incontáveis missionários anunciaram e anunciarão o Evangelho, ao longo dos séculos. E seu exemplo comove e anima até hoje quem lê a história de sua morte sublime.

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